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Consumidor do futuro: o que sua marca precisa saber

Digital

IA

Tech

13 de agosto de 2026
Escrito por:
Priscilla Jacovani
Co-Founder & Managing Partner
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consumidor do futuro

Entenda por que esgotamento, ceticismo com inteligência artificial e busca por sentido estão redesenhando as decisões de compra, e o que isso exige de marcas que querem continuar relevantes.

O consumidor do futuro não é uma promessa distante. Ele já compra, pesquisa e desconfia de marcas hoje, formado por anos de crise econômica, saturação digital e uma relação cada vez mais ambígua com a inteligência artificial. Institutos como a WGSN, referência global em previsão de tendências de consumo, e a Gartner já descrevem esse perfil com dados: alguém mais cansado, mais cético e, ao mesmo tempo, mais aberto a usar tecnologia, desde que ela sirva a ele, não o contrário.

O desafio para quem lidera marketing, growth ou produto é que grande parte das estratégias de marca ainda foi pensada para um consumidor que já não existe: aquele que decidia por impulso, confiava cegamente em recomendação automatizada e tinha energia de sobra para se engajar com toda campanha nova. O consumidor de 2026 em diante pede outra coisa: transparência, autonomia e, principalmente, motivo para prestar atenção.

Neste artigo, reunimos os dados mais recentes sobre o consumidor do futuro, cruzando as previsões da WGSN, pesquisas da Gartner e levantamentos sobre o comportamento do consumidor brasileiro, para explicar o que muda na prática e onde as marcas mais erram ao tentar se antecipar.

O tamanho da mudança, em números

  • Só 11% dos consumidores nos Estados Unidos aceitam deixar a inteligência artificial decidir sozinha compras de baixo risco, como itens de higiene pessoal, segundo pesquisa da Gartner com mais de mil consumidores.
  • Mais da metade dos brasileiros (54%) já comprou um produto indicado por inteligência artificial, e 66% recorrem a ferramentas de IA para pesquisar produtos, segundo levantamento da Branddi com 500 consumidores brasileiros publicado pela CartaCapital.
  • 65% das pessoas relatam sentir-se esgotadas pelo excesso de demandas do dia a dia, e quase metade dos jovens com menos de 30 anos globalmente diz se sentir drenada no trabalho, segundo o conceito de Great Exhaustion da WGSN.
  • O e-commerce brasileiro cresce a um ritmo próximo de quatro vezes o do varejo físico, reforçando a jornada figital descrita pela McKinsey como novo padrão de decisão de compra no país.

Juntos, esses números contam a mesma história por ângulos diferentes: o consumidor do futuro usa tecnologia, mas não terceiriza a própria decisão para ela, e chega para essa decisão mais cansado e mais seletivo do que a maioria das estratégias de marca ainda supõe.

O consumidor do futuro não quer que a IA decida por ele

Photo by Werner Du plessis on Unsplash

A leitura mais fácil sobre a virada da inteligência artificial no consumo é também a mais enganosa: a de que a IA vai assumir a decisão de compra e as marcas só precisam otimizar para ser escolhidas por um agente automatizado. Os dados da Gartner desmontam essa leitura. Consumidores usam IA para pesquisar, comparar e filtrar opções, mas resistem fortemente a deixar que ela decida sozinha, mesmo em categorias de baixo risco.

Isso não significa que a inteligência artificial seja irrelevante para a jornada de compra. Significa que o papel dela é de assistente, não de substituto do julgamento humano, ao menos por enquanto. Marcas que tratam presença em IA generativa apenas como um novo canal de mídia, sem investir em confiança, clareza e verificabilidade, tendem a ser vistas exatamente como a pesquisa aponta: uma camada a mais de ruído, não de ajuda real. Já escrevemos sobre como essa mudança de comportamento de busca redesenha a disputa por visibilidade em GEO (Generative Engine Optimization), e o padrão se repete aqui: confiança não se fabrica com um prompt, se constrói ao longo do tempo.

Do esgotamento aos glimmers: a nova régua emocional do consumo

Enquanto o mercado discute automação, o consumidor está lidando com outra coisa: cansaço. A WGSN chama esse momento de Great Exhaustion, um esgotamento coletivo alimentado por custo de vida em alta, incerteza financeira, tensões geopolíticas e ansiedade climática, tudo ao mesmo tempo. Não é um estado passageiro: é o pano de fundo emocional de qualquer decisão de compra a partir de 2026.

A resposta desse consumidor não é parar de consumir. É buscar pequenos momentos de alívio, o que a própria WGSN chama de glimmers: gestos, produtos ou experiências que devolvem uma sensação rápida de segurança ou alegria, sem exigir grande esforço de decisão. Para as marcas, isso muda o que precisa ser comunicado. Discurso de urgência, escassez e comparação constante cansa ainda mais um consumidor que já está no limite. O que funciona é o oposto: simplicidade, humor genuíno e a sensação de que a marca entende o momento que a pessoa está vivendo, não só o produto que ela vai comprar.

Quatro perfis, um padrão: privacidade, humor e autonomia

Nos relatórios mais recentes de Consumidor do Futuro, a WGSN descreve perfis que parecem opostos à primeira vista, mas convergem para o mesmo lugar. Os Guardiões da Privacidade rejeitam a cultura de superexposição digital e buscam simplicidade, segurança e controle sobre os próprios dados, num ceticismo crescente com tecnologia que se apresenta como indispensável. Já os Energizadores respondem a um mundo hostil com humor, absurdo e o que a WGSN chama de funtility: a mistura de diversão e propósito como forma de processar más notícias sem se blindar completamente delas.

Mão digitando em laptop, representando privacidade de dados do consumidor do futuro
Foto: Sergey Zolkin / Unsplash

O que une esses perfis, e o perfil dos Gleamers descrito para 2026, é a busca por autonomia. São consumidores que quebraram encantamentos de eras anteriores. Marcam presença digital sem terceirizar o próprio julgamento a algoritmo ou marca, protegem tempo e atenção como recurso escasso e recompensam quem entrega humor, honestidade e leveza no lugar de mais uma promessa de otimização. Não existe fórmula pública para reproduzir isso em campanha. Existe, sim, um exercício constante de ouvir o que esse consumidor está realmente sinalizando, categoria por categoria, antes de decidir o próximo lançamento.

Erros comuns ao tentar antecipar o consumidor do futuro

  1. Tratar IA generativa como atalho para conversão: forçar um agente de IA a empurrar uma decisão gera desconfiança, não venda. O consumidor quer ajuda, não substituição de julgamento.
  2. Confundir personalização com vigilância: coletar dado sem transparência sobre o uso alimenta exatamente o ceticismo que os Guardiões da Privacidade representam.
  3. Ignorar o cansaço do consumidor: campanhas construídas só sobre urgência e comparação competem por uma atenção que, hoje, está mais escassa do que nunca.
  4. Manter dado, conteúdo e produto em silos separados: sem integração entre tecnologia, CRM e experiência, fica impossível responder à velocidade que esse consumidor exige. É a mesma tese que defendemos ao falar de ecossistemas digitais: cada parte da operação de marca precisa conversar com as outras.

Perguntas frequentes

O que é o consumidor do futuro?

É a forma como institutos de pesquisa como a WGSN descrevem o comportamento de compra que já está em formação, moldado por esgotamento emocional, ceticismo com automação e busca por autonomia e sentido nas decisões de consumo.

A inteligência artificial vai substituir a decisão de compra do consumidor?

Pesquisas recentes da Gartner mostram que não, ao menos não no curto prazo. A maioria dos consumidores usa IA para pesquisar e comparar, mas prefere manter o controle final da decisão, especialmente em compras que considera relevantes.

Como saber se minha marca já fala com o consumidor do futuro?

Um bom ponto de partida é revisar como a marca lida com transparência de dados, tom de comunicação e presença em buscas por IA. Detalhamos esse mapeamento no artigo sobre GEO (Generative Engine Optimization).

Esse comportamento muda entre gerações?

Sim. Boa parte dos dados de esgotamento e ceticismo com IA é mais forte entre pessoas com menos de 30 anos, o mesmo público que já redefine como se relaciona com marcas nas redes sociais, como detalhamos no artigo sobre Geração Z e redes sociais.

Vale a pena investir em inteligência artificial para atender esse consumidor?

Vale, desde que o investimento priorize confiança e utilidade real, não automação pela automação. Todo orçamento sério começa com um briefing bem feito, que mapeie onde a IA de fato ajuda esse consumidor a decidir melhor, sem tirar dele o controle da escolha.

Prontos para preparar sua marca para o consumidor do futuro?

Na follow55, ajudamos marcas a transformar essas mudanças de comportamento em estratégia, dado e produto conectados, não em iniciativas isoladas.

Referências

  • WGSN. Great Exhaustion, Future Consumer 2026. Disponível em: wgsn.com.
  • WGSN. Consumer profiles that will shape the market in 2027. Disponível em: wgsn.com.
  • Gartner. Gartner Survey Finds Consumers Want AI Shopping Help, But Not AI Purchase Decisions. Maio de 2026. Disponível em: gartner.com.
  • Branddi, via CartaCapital. Inteligência artificial influencia compras dos brasileiros. Janeiro de 2026. Disponível em: cartacapital.com.br.
  • McKinsey & Company. Cinco tendências do consumidor brasileiro em 2025, e o que vai permanecer em 2026. Disponível em: mckinsey.com.
Sobre o autor:
Priscilla Jacovani
Co-Founder & Managing Partner
Estrategista com visão de produto, tecnologia e negócios, lidera operações e posicionamento da follow55 com foco em crescimento, resultados e inovação.

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