Os desafios do CMO (Chief Marketing Office) nos dias atuais

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29 de julho de 2025
Escrito por:
Priscilla Jacovani
Co-Founder & Managing Partner
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Semana passada, estava conversando com um CMO de uma startup de tecnologia. Ele me disse algo que não sai da minha cabeça: “Priscilla.. quando comecei nessa função há três anos, eu achava que sabia o que era ser CMO. Hoje, sinto que estou aprendendo uma profissão completamente nova a cada seis meses.”

Essa frase resume perfeitamente o que tenho observado trabalhando com líderes de marketing de diferentes portes de empresa. Se você ainda pensa que o Chief Marketing Officer (CMO) é aquele executivo focado apenas em campanhas publicitárias e branding, precisa urgentemente atualizar essa visão. O CMO de hoje é uma figura completamente diferente.

A evolução que ninguém esperava

Nos últimos dois anos, tenho acompanhado de perto essa transformação. E posso afirmar: nenhum cargo sênior está evoluindo tão rapidamente quanto o de CMO. Enquanto outros executivos se adaptam gradualmente às mudanças, os líderes de marketing estão passando por uma mudança completa de responsabilidades.

Os dados que encontrei pesquisando sobre o assunto:
98% dos CMOs concordam que precisam de habilidades tecnológicas mais avançadas a cada ano (CMS Wire, 2025: https://www.cmswire.com/digital-marketing/cmo-circle-inside-the-2025-state-of-the-cmo/). Isso não é apenas uma estatística, é a realidade.

Outro número que me chamou atenção:
78% planejam usar IA generativa para mudanças no modelo de negócio
(PwC, 2025: https://www.pwc.com/us/en/executive-leadership-hub/cmo.html).
Não estamos falando de automação de posts no Instagram.
Estamos falando de repensar como as empresas criam valor.

E tem mais: 70% acreditam que suas empresas estão atrás da concorrência em adoção tecnológica (PwC, 2025: https://www.pwc.com/us/en/executive-leadership-hub/cmo.html). Imaginem a pressão que isso representa.

Não é apenas sobre aprender novas ferramentas.
É sobre se tornar um líder de crescimento estratégico que opera na intersecção entre tecnologia, dados e experiência do cliente. Uma combinação que, até pouco tempo atrás, parecia impossível, não é mesmo?

As três habilidades que fazem a diferença

Conversando com CMOs de startups até grandes corporações, identifiquei um padrão interessante. Os que estão realmente fazendo a diferença dominam uma tríade única de habilidades que, até pouco tempo atrás, pertenciam a departamentos completamente diferentes.

Primeiro: Fluência em Dados.
Não estou falando de saber ler um relatório do Google Analytics.
Estou falando de compreender arquiteturas de dados, integrar múltiplas fontes de informação e, principalmente, traduzir analytics em insights que geram resultados reais de negócio.
É a diferença entre ter dados e criar valor com eles. Mês passado, apoiamos um CMO de uma empresa, ele conseguiu aumentar o LTV dos clientes em 40% apenas reorganizando a forma como os dados de diferentes pontos de contato conversavam entre si.

Segundo: Alfabetização Tecnológica.
CDPs, CRMs, automação de marketing, IA generativa, machine learning… o arsenal tecnológico é enorme e em constante evolução. Mais importante que conhecer cada ferramenta é entender como elas se integram para criar experiências personalizadas e também como escalar isso.

Terceiro: Pensamento Criativo e Storytelling.
Aqui está o diferencial que muita gente esquece.
As habilidades fundamentais do marketing não desapareceram, elas se tornaram ainda mais representativas. Branding, narrativas que inspiram e compreensão profunda do comportamento humano são o que transformam dados frios em conexões emocionais.

O desafio real? Integrar essas três competências de forma sinérgica.
Porque dados sem storytelling viram relatórios que ninguém lê.
Criatividade sem dados resulta em campanhas bonitas que não convertem.
E tecnologia sem estratégia são ferramentas caras subutilizadas.

A pressão que poucos entendem

Vou ser honesta: a pressão sobre os CMOs nunca foi tão intensa.
Eles enfrentam o que eu chamo de “pressão paradoxal do ROI”: demandas crescentes por resultados mensuráveis, mas muitos ainda dependem de métricas básicas e carecem da infraestrutura adequada para medição.

Na semana passada, um CMO de uma grande empresa me disse: “Me pedem para provar o ROI de tudo, mas quando peço orçamento para as ferramentas que me permitiriam medir direito, dizem que é muito caro.” É frustrante, mas é a realidade de muitos.

Os principais desafios que vejo no dia a dia incluem:

O gap tecnológico é crítico.
70% das empresas estão atrás da concorrência em adoção de novas tecnologias, mas há pressão simultânea para otimizar investimentos atuais (PwC, 2025: https://www.pwc.com/us/en/executive-leadership-hub/cmo.html). É como pedir para alguém correr uma maratona usando tênis furado. rsrs

Orçamentos limitados enfrentam expectativas crescentes de personalização e experiências premium (PwC, 2025: https://www.pwc.com/us/en/executive-leadership-hub/cmo.html).
Todo mundo quer ser tratado como VIP, mas poucos querem pagar o preço de uma experiência VIP.

A colaboração complexa é outro ponto. CMOs precisam alinhar TI, Vendas, Produto e Dados, funções com tempos e prioridades completamente diferentes (CMS Wire, 2025: https://www.cmswire.com/digital-marketing/cmo-circle-inside-the-2025-state-of-the-cmo/).
É como tentar dirigir um carro onde cada roda quer ir para uma direção.

E tem a velocidade da mudança.
Novas plataformas emergem diariamente, exigindo agilidade e consistência estratégica.
Ontem era TikTok, hoje é IA generativa, amanhã será outra coisa que ainda nem sabemos o nome.

O resultado disso tudo?
CMOs têm menor permanência no cargo: 4,2 anos versus 4,6 anos de outros executivos C-level (Marcas em Acção, 2025: https://marcasemaccao.com/2025/06/03/o-futuro-do-chief-marketing-officer-reinventar-ou-manter/). Não é coincidência.

O debate que está dividindo opiniões

Uma questão que tem gerado muito debate nos círculos de marketing é: o título “Chief Marketing Officer” ainda faz sentido? Eu mesma tenho opiniões divididas sobre isso.

Entre 2020 e 2023, enquanto o título CMO cresceu 54%, títulos especializados explodiram: Chief Product Officer cresceu 80% e Chief Commercial Officer 78%. Algumas empresas estão literalmente dividindo as responsabilidades tradicionais do CMO em funções mais específicas.

Tem gente defendendo mudanças.
Chief Customer Officer foca no que realmente importa: o cliente.
Títulos como “Chief Marketing & Strategy Officer” comunicam melhor o escopo expandido.
Há mais clareza sobre responsabilidades e autoridade.

Mas também tem a defesa do tradicional.
CMO é mais reconhecido e compreendido no mercado.
Sugere liderança holística sobre marketing.
Evita confusão com stakeholders externos.

Minha perspectiva?
O sucesso independe do título.
Depende da capacidade de construir relacionamentos, colaborar efetivamente, comunicar valor e gerar resultados mensuráveis. O título é menos importante que a execução.

Entendendo as diferenças no C-Suite

Para compreender melhor essa evolução, é importante entender como o papel do CMO se diferencia de outros executivos nos dias atuais. Trabalhando com diferentes C-levels, percebo nuances interessantes.

O CMO tem foco principal no crescimento através de experiência do cliente e brand building. Suas responsabilidades atuais incluem estratégia de crescimento e aquisição de clientes, experiência do cliente end-to-end, dados e insights de mercado, transformação digital voltada ao cliente, e ROI de investimentos em marketing e tecnologia.

O CTO foca em inovação tecnológica e arquitetura de sistemas.

O CEO tem visão estratégica geral e liderança organizacional.

O CIO cuida da gestão de TI e sistemas internos.

O CCO trabalha com advocacy do cliente e relacionamento.

O interessante é que os papéis estão cada vez mais interconectados.
CMO e CTO colaboram em martech, IA para marketing e experiências digitais.
CMO e CIO alinham dados de cliente com infraestrutura de TI.
CMO e CCO frequentemente se sobrepõem… daí o debate sobre títulos.
CMO e CEO trabalham em parceria estratégica em crescimento e transformação digital.

A grande diferença do CMO?
É o único executivo que precisa equilibrar dados, tecnologia, e resultados de curto prazo com construção de marca de longo prazo. É essa complexidade única que torna o papel tão desafiador e tão estratégico.

O que vem por aí

O papel do CMO continuará evoluindo, mas algumas tendências são inevitáveis. E posso falar isso com propriedade porque vejo acontecendo na prática.

IA como multiplicador: 78% dos CMOs usarão IA generativa para mudanças fundamentais no modelo de negócio, não apenas para automação, mas para reimaginação completa de como criam valor.

Dados como nova moeda: personalização em escala se tornará expectativa básica, mas privacidade e confiança serão os verdadeiros diferenciadores. Quem conseguir equilibrar isso com privacidade vai sair na frente.

Marketing igual a crescimento: a função evolui definitivamente de centro de custo para motor de crescimento, com responsabilidade direta por resultados de negócio. Não é mais “quanto gastamos em marketing” e sim “quanto o marketing trouxe de receita”.

A habilidade que supera todas

Se existe uma habilidade que define o CMO dos próximos anos, é a agilidade de aprendizado. Em um ambiente onde mudança é constante e a velocidade de inovação acelera, a capacidade de aprender rapidamente, adaptar-se e aplicar conhecimentos de uma área para resolver problemas em outra torna-se vantagem competitiva fundamental.

Não é sobre saber tudo. É sobre saber aprender tudo. Rapidamente.

Reflexões finais

Para CMOs atuais: invistam agressivamente em desenvolvimento contínuo de competências. Construam relacionamentos estratégicos.
Posicionem-se como arquitetos de valor, não apenas promotores de produtos.

Para outros executivos: reconheçam o marketing como capacidade central, não função de suporte. Colaborem estrategicamente com líderes de marketing modernos.

Para organizações: estruturem a liderança de marketing para o futuro, não para o passado.

Sobre a follow55

Aqui na follow55, trabalhamos diariamente ao lado de CMOs de startups, PMEs e grandes empresas, apoiando-os nessa transformação complexa do marketing atual. Compreendemos que cada estágio empresarial apresenta desafios únicos: startups precisam construir awareness com recursos limitados, PMEs buscam escalar operações mantendo agilidade, e grandes empresas enfrentam a complexidade de transformar estruturas estabelecidas.

Nossa experiência com líderes de marketing em diferentes contextos nos permite oferecer insights práticos sobre como equilibrar essas três competências críticas, implementar tecnologias de forma estratégica, e demonstrar ROI em ambientes de pressão crescente. Seja você um CMO navegando sua primeira transformação digital ou um executivo experiente redefinindo estratégias em uma grande corporação, entendemos os desafios únicos que cada jornada apresenta.

A evolução do papel do CMO não é apenas uma tendência que observamos é uma realidade que vivenciamos junto aos nossos clientes todos os dias.

Sobre o autor:
Priscilla Jacovani
Co-Founder & Managing Partner
Estrategista com visão de produto, tecnologia e negócios, lidera operações e posicionamento da follow55 com foco em crescimento, resultados e inovação.

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